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A guerra de Israel em Gaza tem todo o potencial para escalar para um conflito muito maior, com frentes abertas na fronteira com o Líbano e na Cisjordânia, e tumultos espalhando-se por toda a região. Uma tal escalada teria um enorme impacto, não só em todo o Médio Oriente, mas em toda a situação mundial. Os bombardeamentos maciços em curso contra Gaza já estão a abalar o mundo, política, económica e socialmente.

Centenas de pessoas morreram no bombardeamento do Hospital Al-Ahli al-Arabi (Batista), no distrito de Al-Zeitoun, na Cidade de Gaza. O hospital não estava apenas cuidando dos seus próprios pacientes – muitos feridos em ataques aéreos israelenses – mas também estava abrigando milhares em busca de segurança contra o ataque do exército israelita. À medida que a notícia se espalhava, dezenas de milhares de manifestantes furiosos saíram imediatamente às ruas no Líbano, Jordânia, Turquia, Tunísia e Cisjordânia, atacando embaixadas israelitas e edifícios dos imperialistas norte-americanos e franceses. Uma cimeira entre líderes árabes e Biden na Jordânia foi, entretanto, cancelada.

Em 1857 os Cipaios, indianos que integravam as tropas da Companhia das Índias, revoltaram-se contra os seus amos. Na Inglaterra essa revolta dos “bárbaros” causou uma onda de espanto, terror e ódio que a imprensa se encarregou de espalhar e em alguns casos aumentar com detalhes inventados. Karl Marx, correspondente do New York Tribune, jornal americano com a maior circulação no mundo, escreveu um artigo em que evidenciou a hipocrisia histórica das classes dominantes em relação à violência consoante esta é praticada pelos seus pares ou pelos dominados. Hoje quase poderíamos reproduzir linha por linha este artigo em relação com o que se vive na Palestina.

Na sequência do ataque surpresa do Hamas em 7 de outubro, o Estado israelita desencadeou uma represália sangrenta. No Ocidente, políticos capitalistas e a imprensa prostituta declaram apoio inabalável ao “direito de Israel de se defender” e classificam aqueles que demonstram solidariedade com a Palestina como “simpatizantes do terrorismo”. Isto está a ser combinado com a repressão jurídica da solidariedade para com o povo palestiniano, que tem de ser combatida corajosamente. Não seremos silenciados!

Esta declaração da Tendência Marxista Internacional declara a nossa solidariedade para com o povo palestiniano. Responde também à repugnante hipocrisia do imperialismo ocidental e dos seus lacaios, que se mobilizam em torno do Estado reacionário israelita enquanto este desencadeia uma vingança sangrenta em Gaza, na sequência do ataque surpresa do Hamas em 7 de outubro. Além disso, explicamos por que razão a liberdade para a Palestina só pode ser alcançada através de meios revolucionários e do derrube do capitalismo em toda a região.

A Alemanha, outrora aclamada como o bastião da estabilidade europeia, está a entrar num período de profunda agitação. A era do crescimento económico e da paz social está a chegar ao fim. A Alemanha está a atravessar uma crise intensa e todos os pilares do seu antigo “modelo de sucesso” estão a ruir, provocando divisões profundas na classe dirigente e um fermento entre as massas.

O ataque do Hamas a Israel ontem (sábado, 7 de outubro) foi um choque, surpreendendo os serviços secretos e o aparelho militar israelitas, mas não nos deve surpreender minimamente. É a consequência direta da escalada de repressão violenta dos palestinianos promovida por Netanyahu, que lidera o governo reacionário mais à direita da História de Israel.

O Parlamento do Canadá cometeu a gafe de relações públicas do século ao convidar um conhecido colaborador nazista à Câmara dos Comuns e ao aplaudi-lo de pé. Embora certamente tenha sido um erro embaraçoso, foi mais do que um erro isolado. O incidente coloca toda a atenção sobre o padrão do imperialismo canadense de encobrir os fascistas ucranianos; e na completa estupidez da classe dominante, cega pelo frenesi da guerra contra a Rússia.

Quando me levanto de manhã, calço os sapatos e amarro os cadarços, muitas vezes me pergunto: “quem fez esses sapatos?”. Da mesma forma, quando me sento à mesa para tomar o café da manhã, me pergunto: “quem fez a mesa e quem trabalhou na fazenda que produziu a aveia do meu mingau?”. Quando vou fazer meu check-up anual no consultório médico local, me pergunto: “a que classe pertence a enfermeira?”. Você pode estar se perguntando por que me faço essas perguntas. Bem, é porque somos constantemente bombardeados pela ideia, aparentemente desafiando a minha experiência, de que a classe trabalhadora já não existe mais; que foi dissolvida e que agora somos todos, em sua maioria, de “classe

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Em recente artigo nosso sobre a batalha contratual do United Auto Workers (UAW), dissemos que este seria um grande teste para Shawn Fain e para a nova direção do UAW. Explicamos que a questão chave seria se os novos dirigentes do UAW tentariam conduzir uma luta dentro dos limites do que é aceitável para o sistema capitalista, ou se desafiariam o próprio sistema que exige salários e condições precárias. A greve de Flint, Sit-Down, de 1936-37 ,e outras ocupações de fábricas de luta de classes lançaram o desafio aos patrões: quem

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Este é o ano do centenário de dois grandes compositores*. Um deles, Mozart, é universalmente conhecido e amado. O segundo é Dimitri Shostakovich, um dos maiores compositores do século 20, um gigante que deu voz aos sofrimentos e triunfos do povo soviético em um dos mais turbulentos e revolucionários períodos da história.

Se a reunião das principais economias do Grupo dos 20 (G20) na Índia pretendia ser uma demonstração de unidade contra a Rússia, conseguiu produzir precisamente o resultado oposto. A declaração final do Grupo, que se recusou terminantemente a condenar Moscovo, provocou imediatamente uma onda de fúria em Kiev e expôs contradições flagrantes na autoproclamada coligação contra a Rússia.

Na recente cimeira dos BRICS, o anúncio do seu alargamento a 6 novos países gerou uma onda de declarações otimistas, quase piedosas, de destacados dirigentes do PCP sobre as virtudes desta organização que reúne um grupo (agora maior) de países do chamado “Sul global”.

Quando a notícia do falecimento de Yevgeny Prigozhin chegou ontem às manchetes, os habituais especialistas apareceram na imprensa com a vivacidade de um bando de abutres, ansiosos por recolher os ossos de um animal morto na savana africana.